às artes e barões assinalados ...
Carlos Américo


Solidão

Sinto o mundo a bombardear

Sinto clarões no ar

Sinto anjos a gritar

Sinto vendavais a arrastá-los


Logo eu sinto uma amnistia

a transformar este mundo

em paz, amor e alegria


E o mundo jamais poderá ver

esses anjos a gritar

as carroças a voar

os comboios suspensos no ar

os aviões a nadar

as formigas a fumar

— E eu?

Eu, carregado de ouro e amor para dar,

já estava fatigado de gritar,

de gritar deste buraco,

já sem esperança de ver o mundo

transformar-se para amar.


Ia morrer no buraco esquecido

com a fortuna que trazia comigo

sem o mundo me deixar dar.


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