Flávio L. da Silva
Traz a cesta com os frutos daquela noite
Os holofotes das grandes estrelas
A devolução das marés para a nossa cama
Levo daqui a valentia do homem da frente do combate
o flamenco todo no peito a espraiar
a decifração rupestre do silêncio em taças de vinho
a primeira aguada do nosso levante
Traz o cinzeiro porque eu não sei se vai haver cama
talvez alguma luz golpeadas com açafrão agrafada em meus lábios
No dia em que se descobriu o amor inventaram a violência.
as aranhas na fabricação do linho. os caramelos para atrair crianças.
as catacumbas. as noites de uivos. os lagos sem bússolas de areia por baixo.
o coração é o lugar onde guardamos as armas. desde esse dia

