às artes e barões assinalados ...
João Vasconcelos

Sentindo a tempestade


Sou eu, minha vida
Sou eu, a luz que te ilumina,
no fundo de um poço
Como um abismo
Sem fio de esperança.
É luz que se alcança
Neste dia sem névoa...
Sou ainda a raiz
De árvore decepada,
Pensamento sem tempo
No corpo inerte ao vento.
É vazio sem nada...
Sou eu também o cume
A eterna e sublime busca,
Em ofuscante silencio
De solidão errada.
Ainda a senha
De vida achada
Num beco sem saída
De uma mão fechada.
Por fim, a desesperada volta
A leviana semente
Que calma e sente...


A Cidade


Lá longe
Vive a cidade-multidão.
A sua face distante
Veste-se todos os dias
Com milhões de faces
E outras tantas estranhas vestes.
E todos os dias
A cidade imperiosa
Parece nova, e fascinante
Como um sonho-ambulante...
Afasto-me lentamente
E á ao fundo,
A cidade fica brilhando
Para sempre.



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